03.10.2019

Aviso: este é um post da página "Escritora Miriam Alves" do 05/05/2018.

Considerações sobre a "Criação Crioula, Nu Elefante Branco" - I Encontro de Poetas e Ficcionistas Negros - Setembro - 1985- São Paulo - SP.

Hoje levei um susto, procurando o livro Criação Crioula, Nu Elefante Branco - I Encontro de Poetas e Ficcionistas Negros -Setembro 1985- SP. Encontrei na Estante Virtual por um preço de R$300,00, pela descrição foi provavelmente um livro que dei, pessoalmente, para pesquisadora, já falecida, Nelly Novaes Coelho num encontro em Brasília.

Passou em minha mente um filme de como Arnaldo Xavier, Cuti Silva e eu elaboramos e realizamos a publicação, com ajuda de amigos que trabalhavam na Imprensa Oficial do Estado de São Paulo na época. E de depois de pronto o lote todo foi despejado no saguão do prédio, nós três que trabalhávamos e não podíamos sa...

10.11.2017

É muito interessante a questão ovo ou galinha acerca dos livros de literatura infantil: o que surgiu primeiro, o mote ou a história? Defendemos uma ideia ou queremos desenvolver uma narrativa? E ainda: literatura infantil é menos literatura?

A partir do convite da Mariana e da Carolina para o Bondelê, fui pensando em como surgiu a ideia para criação do meu primeiro livro A Menor Ilha do Mundo (ed. Peirópolis, 2010): andando numa praia, pensando em nada especificamente nem sequer em escrever um livro para crianças. Perto do ponto onde quebravam as ondas, vi uma ilhota pequenina com uma única árvore "em cima".  A menor ilha do mundo. Continuei andando. Quando cheguei do outro lado da praia, percebi que tinha inventado uma história que parecia bacana. Subi para o quarto e anotei num caderno que tenho sempre por perto. Com o tempo, as anotações foram cri...

03.11.2017

Rotina 

Não acredito em excesso de preparação. É sentar e escrever. E escrever sempre será um processo solitário, que exige disciplina. Tento escrever todos os dias, começando de manhã.

Se um texto flui com muita facilidade, provavelmente vou desconfiar, vou sentir que estou no caminho errado. Claro que ele não pode ser impossível de manejar, mas acredito que as escolhas são críticas. No meu caso, cada palavra ou frase é contemplada com o rigor de quem observa a luz tentando adivinhar exatamente em que momento do dia se está.

E só vou saber se a coisa funciona mesmo se está no papel. Sei que não é fácil admitir que a escolha feita não foi ideal, mas para que seja pelo menos reconhecida, tem que estar no papel. Daí a importância de escrever sempre. Eu me pergunto se o material é bom o tempo todo. Releio uma frase e não fico feliz. Preciso mudar. Recalib...

Por que discutir a relação entre mulheres e literatura em um curso de formação de futuros professores?

Um dos grandes desafios da escola contemporânea é a formação de leitores. Pesquisas, como as realizadas pelo Instituto Pró-Livro, mostram que ainda lemos pouco em nosso país e que o acesso ao livro não é tão fácil como parece.

Muito se sabe sobre o papel da escola e do professor na formação de novos leitores mas ainda pouco se fala sobre a história leitora desses responsáveis por desempenhar esse papel. Será que os professores são bons leitores, apaixonados por livros e que tem o hábito de ler?

Minha experiência como professora em um Curso de Pedagogia tem mostrado que não! Eu, como apaixonada por livros, sempre perguntei, independente da disciplina ministrada, aos futuros professores, quem gostava de ler. As respostas apontavam...

24.07.2017

Fazia livros que eu não lia autores mais antigos – a pilha de próximos ao lado da minha cama tem crescido vertiginosamente às custas dos contemporâneos. Decidi que era hora de tomar um fôlego das palavras atuais e voltar um pouco no tempo. Ainda com uma mulher – tenho lido quase só mulheres, uma decisão tomada sem que eu a tomasse conscientemente, talvez só para tirar o atraso de anos. De séculos.

Peguei A mulher desiludida, da Simone de Beauvoir, já que o segundo sexo seguiria primeira escolha. E que surpresa. E que angústia. As palavras acertando em cheio os sentidos que há tantas décadas já havia, e eu achando que a discussão era recente. Mas sem sacrificar uma complexidade que hoje às vezes escapa, nessa conversa – sim – ainda tão nova sobre a condição feminina.

O livro vai num crescendo: a primeira história é narrada por uma intelectual em crise...

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